Soneto do Mistério

A natureza da minha dor 
É a mesma que a dos errantes,
Dos pobres, bêbados e iludidos;
Das freiras, bandidos e amantes.

E ao ler uma elegia de Camões,
Vê-se que é a mesma dos sonetinhos
Dos que fazia Vinícius, ou daqueles
Que fazia Manuel Bandeira.

Sempre fiel à causa de desolar almas
E transformar em tempestade
Aquilo que, outrora, só palpitava...

Aquilo que me incendeia e me marca,
E me ferve em lágrimas e me agita o peito,
É a natureza daquilo que é a minha dor.

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