ADL I - Imensidão
Uma infinitude de estrelas nos cobria.
— Tá vendo aquela constelação ali? — Apontei.
— Não.
— Olha bem. Segue o meu dedo que você encontra. — E ela assim o fez.
Eu olhei pro lado e vi ela seguindo, procurando, se esforçando pra achar alguma forma naquela imensidão confusa e brilhante.
Não pude deixar de reparar na riqueza de detalhes que formavam aquilo que era ela. Ela é feita de muitos detalhes, e todos tiravam o meu fôlego em níveis infinitos. Ela era tanta coisa que eu nem conseguia resumir ali, naquele momento. Estava ocupado demais admirando e só conseguia olhá-la cada vez mais profundamente. Ela com olhos na imensidão acima de nós; eu com os olhos na imensidão que era ela.
De repente minha imersão é interrompida.
— O que foi?
— Nada não. Achou a constelação? — A pergunta saiu sem jeito, fora de compasso. Ainda tava recuperando os sentidos terrenos.
— Acho que achei. O que foi? — Perguntou novamente.
— Só tava reparando numa coisa.
— Que coisa? — E o sorriso já se abrindo no canto da boca.
— Do nada a constelação perdeu a importância...
E de repente, ali, com o sorriso dela já escancarando-se para mim, me fiz imerso novamente. Nada de falar sobre constelações. Naquele momento todo o tempo do mundo não seria o suficiente pra admirar a beleza dela.
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