Carta a Fernando, Viena (1764)

Saudações, querido amigo. Não perguntarei como tu se encontras no cárcere, pois sei que não é bem. Os tempos não são os melhores para todos nós, mas sonho também melancólico com o dia da minha liberdade - mesmo o seu velho amigo aqui não estando entre quatro paredes.

Te escrevo pra tentar dar-lhe um pouco da minha mísera presença, mesmo que não presente em matéria. Me imagine com um sorriso e uma conversa amiga, daquelas que sempre trocávamos desde os nossos 12 anos, e um aperto de mão caloroso com teor de partida breve. Reconheço o teu sofrer, mas calma que há. Amanhã será outro dia, e a liberdade chegará a passos largos.

Contudo não é só por ti, e pela sua situação, que meu peito sofre, Fernando... mas você sabe, e espero que sempre fique claro em sua mente, que enxergo a amizade como um casamento. Mesmo meu peito estando despedaçado, prezarei por ti na alegria bem como na tristeza. E quem dera se o que me acomete fosse mal de amor... A verdade é que males mais profundos circundam nossa vida e nos aprisionam. Portanto, caro amigo, acredite: meus pés estão livres, mas estou tão preso quanto você.

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