O Cata-vento e a Esmeralda
Dirijo esta carta a Marcelita, com a vida ainda pouca e os sentimentos tremulantes.
É muito provável que eu destine esta carta não a ti, mas ao esquecimento. Acontece que depois daquele beijo, e do toque das nossas mãos, minhas horas são apenas pensamentos. E sabe o que mais me surpreende? Penso mais no frio nervoso da sua mão na minha minha, do que no calor do seu beijo, Marcelita.
Ontem à noite, na companhia das estrelas, li pela segunda vez "Os Sofrimentos do Jovem Werther" e experienciei uma das virtudes mais emocionantes do homem: a empatia. Me vi no pobre Werther; na sua tentativa falha de ter, por completo, a sua amada e o fim de toda essa trajetória. É fato, Marcelita, e dogma: o amor é império e ruína. Por ele se vive, em jardins e verdes pastos, e por ele se morre. Que o teu amor não seja minha ruína.
Comentários